Hoje em dia, muito se fala sobre reprogramação mental, palestras de coach e conteúdos de youtubers. No entanto, eu gostaria de trazer um modelo prático para você que tem interesse em fazer uma reprogramação mental de forma real. É muito fácil dar um passo a passo de como reprogramar a mente, mas pouco se fala que a geração de novas sinapses para uma reprogramação real pode levar tempo e exige muito treino.
Quando falamos em reprogramação, temos de pensar que é um processo de esforço cognitivo. Ou seja, você deve forçar a alteração de padrões pré-definidos no seu córtex cerebral, fazendo com que novas sinapses se estabeleçam e seja criado um novo padrão. Quando falamos de crenças, são justamente esses padrões absorvidos que podem ser modificados através da neuroplasticidade do cérebro.
Vamos detalhar melhor com exemplos. Digamos que você tem uma aversão a pessoas que têm dinheiro, acreditando que todos os ricos são orgulhosos e nunca ajudam ninguém. Perceba como é fácil pensar nisso; soa quase como natural. Nesse caso, através de um treino de pensamento, comece a dizer para você mesmo: "Os ricos são pessoas boas. Os ricos, através de seu poder de compra, conseguem ajudar e a diminuir a pobreza em grandes lugares". Perceba que, se sua mente está programada para se opor aos ricos, automaticamente o simples ato de falar algo que vai contra sua crença gera desconforto. E é justamente aí que devemos trabalhar com a repetição.
Pegando um exemplo externo, digamos que você está em uma academia. As dores e os desconfortos iniciais são quase insuportáveis no início. O corpo, sem força, usa o dobro da energia que usaria se já estivesse em forma. Com o passar do tempo e com a prática diária, percebe-se que os músculos estão mais fortes e a sensação ruim é substituída por um prazer pelo esforço. Sua mente trabalha no mesmo mecanismo: as alterações de padrões de pensamento são conseguidas com base em treino e repetição. Ao dizer diversas vezes, em pensamentos e verbalmente, algo contrário à sua crença, o cérebro começa a entender isso como um padrão correto. É você quem dita essas informações para ele e, com o passar do tempo, essa nova crença se tornará tão natural que a crença passada será tratada como incorreta.
Eu atuo na área de dados há mais de 3 anos, e nessa área aprendemos muito a observar padrões e desvios quando eles ocorrem. É natural na área de dados fazermos muitas perguntas para compreender se um dado está correto ou não. Usando esse exemplo, para que você possa alterar uma crença, muitas vezes terá que combater pensamentos com questionamentos. Por exemplo, ao vir o pensamento de que pessoas ricas são ruins, você pode questionar: "Esse pensamento é, de fato, uma realidade?". E comece a confrontar com dados as informações lançadas pelo seu cérebro: por exemplo, "Sabia que existem ricos que ajudaram com milhões e milhões de pessoas em uma crise X?". Observe que o cérebro vai guardar essa informação e isso irá alimentar um questionamento contínuo, fortalecendo o padrão da nova crença criada: a de que os ricos conseguem diminuir a pobreza.
O mais incrível é que o cérebro não sabe diferenciar perfeitamente a realidade daquilo que é criado internamente. Ou seja, as possibilidades de criação de novas crenças são infinitas. Você pode dizer ao seu cérebro que você é uma pessoa feliz e alegre, mesmo que seu estado externo não seja essa realidade. Augusto Cury, em seu livro "Ansiedade", fala um pouco sobre essa alteração de estado da mente. Imaginemos que em nosso cérebro, no processo mental, teríamos duas janelas: as "Light" (pensamentos de paz, coisas boas, etc.) e as "Killers" (pensamentos ruins, de baixa energia cognitiva). Usando nosso exemplo, sempre que construímos uma nova crença boa, ela é registrada nas janelas Light, produzindo bem-estar. E essas janelas Light, quando aumentadas, reduzem o uso das janelas Killers. Perceba que existe uma construção de um novo pensamento, e isso exige treino, mas com certeza é possível. E você pode começar ainda hoje.
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