Será que realmente Amo a Deus ?



Você está em um momento em que aparentemente tudo está bem: família unida, trabalho intenso e a constante esperança de que, em breve, as coisas vão melhorar. Você espera evoluir e fazer com que todos ao seu redor cresçam junto. Sim, você é um pai de família. Sua missão é clara: obter resultados para que aqueles que estão ao seu lado também possam usufruir do que você tanto almeja.

Um certo dia, você acorda e percebe que sua companheira já não tem o mesmo brilho no olhar. Aos poucos, você a está perdendo dentro do seu próprio lar. Aquele lar que você lutou tanto para construir, onde a alegria era todos se reunirem à mesa para, juntos, agradecerem a Deus pelo alimento e iniciarem uma refeição em paz e tranquilidade. Mas ela já não está mais presente. Ela não sente mais prazer em estar com a família, com o marido. Perdeu a admiração por você e sequer consegue ser sincera sobre o que sente.

Pois é, meu amigo, eu sei pelo que você está passando. A mulher que você amava já não é a mesma e mudou diante dos seus olhos, enquanto você, distraído, nem percebeu. Aos poucos, ela cultivou novas amizades no trabalho, passou a negociar princípios que antes eram inegociáveis e trocou a solidez de uma relação construída com lágrimas e suor por uma diversão passageira, uma paixão avassaladora que agora ameaça destruir o que deveria ser forte e bem alicerçado.

Compreendo sua dor e, por isso, quero conversar com você e trazer algum alívio para este momento tão difícil. Apenas quem viveu uma situação como essa e conseguiu superá-la pode afirmar, com toda a certeza: não é o fim.

Primeiro, quero falar sobre você. Talvez você seja um homem muito trabalhador e de grande fé em Deus, e acredita que, agindo assim, conquistará ainda mais a admiração da sua companheira. Mas a verdade é que não. Diferente do que se prega, um relacionamento não traz essa garantia. Escrevo especialmente para homens cristãos, que creem firmemente que suas esposas nunca os abandonarão ou pecarão contra eles. No entanto, frequentemente nos esquecemos do que a Bíblia nos ensina sobre isso:

Romanos 3:23
"Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus."

Sim, caso você tenha se esquecido, todos pecaram: eu, você, sua companheira, seus filhos… todos, sem exceção. Portanto, quando nos unimos a alguém, estamos formando uma dupla de pecadores. E sabe o que é interessante? Mesmo sabendo disso, ainda depositamos grandes expectativas no outro, ciente de que ele é tão pecador quanto você e, se ainda não falhou, falhará em algum momento. E aí mora o perigo.

Quero que você olhe para o seu casamento hoje sob uma nova perspectiva. Sabemos que, ao nos casarmos, há uma comparação com a união entre Cristo, o noivo, e a Igreja, a noiva. Essa aliança é profunda e inquebrável. Mas não podemos nos esquecer de que se trata de uma representação, um símbolo que, aos nossos olhos, se for alvo de expectativas irreais, pode ser abalado. Deixe-me explicar, para que você não se escandalize.

A grande maioria dos sacramentos realizados nas igrejas são símbolos. Temos como exemplo a Santa Ceia, em que o suco representa o sangue e o pão, o corpo de Cristo. Esses símbolos apontam para a perfeição do sacrifício, assim como o casamento reflete o amor perfeito de Deus pelo seu povo.

Mas a pergunta é: se são símbolos de algo perfeito, por que insistimos em tratar nossas vidas imperfeitas com uma lente de perfeição inexistente? Quero dizer que devemos, sim, buscar ser mais parecidos com Cristo, mas sem esquecer que nossa natureza é imperfeita diante de um Deus tão grandioso. Isso deveria nos levar a ter mais compaixão, humildade, e a não depositar nossa esperança em qualquer pessoa, nem mesmo no nosso cônjuge.

Precisamos entender que tudo nos é dado por Deus: absolutamente tudo. Seus filhos, sua casa, sua companheira, seus sonhos, seu propósito. E, entendendo isso, se você não consegue olhar com humildade e reconhecer que o mesmo Deus poderoso, em quem você confia de todo o coração, é Aquele que pode tudo tirar, então sugiro que rasgue o livro de Jó da sua Bíblia e abandone sua fé, pois ela é falsa. Pareço duro demais, não é? Mas esse é o evangelho. E posso provar que muitos cristãos vivem uma fé enganosa, crendo estar seguindo a verdade do evangelho, quando não estão. Acompanhe o versículo abaixo:


Mateus 10:37-39
“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará.”

 

Parece duro demais, não é? Mas foram as palavras do próprio Jesus. Você só percebe que ama verdadeiramente o Senhor quando Ele tira aquilo que você mais ama. Se Deus tirasse sua família hoje, para onde você correria? Amaldiçoaria o Deus que a deu e agora decidiu retirá-la? Seria Deus injusto por remover o que você mais ama? Perceba como essas perguntas geram um conflito interno e revelam que nosso amor por Deus pode estar abalado — e que, muitas vezes, criamos ídolos em nossos corações que competem com o amor que devemos a Ele.

Com isso, quero levá-lo a refletir, como homem e casado: se, ao responder a essas perguntas, você sente um incômodo profundo no coração, percebendo que sua família ocupa o centro dele, chegando até a tomar o lugar de Deus, então é hora de se arrepender e buscá-lo para quebrar os ídolos do seu interior. Pois, se Cristo não fizer isso, quando as pessoas importantes da sua vida forem tiradas — por qualquer motivo —, não restará nada: nem alegria, nem contentamento naquele que conta os seus dias, o próprio Deus.

E para você que está passando por esse momento de dor tão profunda, esta é a hora certa de olhar para Cristo e deleitar-se no cuidado e na paz que excede todo o entendimento, pois certamente essa paz guardará o seu coração.

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